Fonte: G1.com
O Vale do Silício está expandindo suas fronteiras e busca agora formas tecnológicas de produzir materiais tradicionais – é o caso do tijolo, que já passa por um processo de produção de baixa energia. A novidade ilustra a virada ecológica no setor de investimento em tecnologia dos Estados Unidos.
"Acreditamos que tenha chegado a hora de uma segunda revolução industrial", disse Paul Holland, sócio da Foundation Capital, que investiu US$ 7 milhões na Calstar. A EnerTech Capital liderou uma segunda rodada de capitalização que levantou US$ 8 milhões para a empreitada.
Nessa nova onda da produção tecnológica de materiais tradicionais é possível desenvolver concreto capaz de absorver dióxido de carbono, janelas que ofereçam isolamento melhor que o das paredes e também materiais para substituir a madeira.
O campo ainda é novo. Os investimentos do setor de capital de risco voltados a edificações ecológicas oscilaram ao longo da recessão, mas envolveram cerca de 45 transações, ao valor de US$ 350 milhões, no ano passado, de acordo com o Cleantech Group.
Tijolo ‘verde’
Os tijolos comuns precisam ser cozidos por 24 horas a uma temperatura de 1.093ºC, como parte de um processo de produção que pode levar uma semana, enquanto os da Calstar são cozidos a temperaturas inferiores a 100ºC e sua produção demora apenas dez horas, diz o presidente da Calstar, Michael Kane.
Michael Kane, presidente da Calstar, na linha de produção dos tijolos. (Foto: Reuters)
A receita incorpora grandes volumes de resíduos de carvão consumido em usinas termelétricas, que de outra forma poderiam se tornar um poluente problemático.
O processo de produção dos tijolos -- cuja aparência e sensação ao tato são iguais às de um tijolo comum -- requer de 80% a 90% menos energia e emite 85% menos gases causadores do efeito estufa, se comparado ao processo usado em tijolos comuns, de acordo com a Calstar.
Custos de energia menores significam mais lucros e isso permite que a empresa patrocine suas pesquisas e concorra contra empresas maiores, beneficiadas pela economia de escala. Os novos tijolos serão vendidos pelo mesmo preço de tijolos de barro tradicionais.
Dúvida
Associação da Indústria do Tijolo dos EUA afirma que a novidade não pode ser classificada como tijolo e diz não existir prova de que esses produtos durem tanto quanto os tradicionais.
Apesar disso, a Calstar conta com 16 distribuidores e quer vender 12 milhões de tijolos ou mais no primeiro ano. Além disso, planeja produzir 100 milhões de tijolos para venda no sul e centro-oeste dos EUA, diz Kane. Depois disso, mercados de alto crescimento, como a China, serão o alvo.
